Tumores Cerebrais
O que são tumores?
Em nosso organismo todas as células se reproduzem. Essa característica é que faz, por exemplo, com que nossas unhas e cabelos cresçam. A reprodução das células é controlada rigidamente tanto em sua velocidade quanto no seu formato. Assim, nossos cabelos e unhas crescem sempre no mesmo formato e aproximadamente na mesma velocidade.
Os tumores derivam de células que crescem fora do controle do nosso organismo. O tipo de tumor irá depender, principalmente do tipo de célula do qual ele deriva. Podemos imaginar que tumores que derivam de células da pele, por exemplo, devem ser diferentes de outros que derivam dos ossos. Assim existe uma variedade de tumores proporcional aos tipos de células no nosso corpo.
As células tumorais tendem, com o passar do tempo, a perder as características das células que as originaram, em medicina chamamos esse fenômeno de desdiferenciação. Esse nome vem do fato que todo o nosso organismo se formou a partir de células que tinham o potencial de se transformar em qualquer tecido do corpo.Os tumores podem ser vistos como tentativas de determinados grupos celulares de voltar a serem células embrionárias. Quanto mais próximo da célula embrionária, maior será o poder do tumor de crescer e invadir os tecidos ao redor.
Quando os tumores invadem tecidos ao redor do local onde nasceu, eles podem atingir o sangue e serem transportados para outros pontos no corpo, onde podem crescer. Essas colônias tumorais são conhecidas como metátases. O tumor que deu origem às metástases é conhecido como primário.
Como foi dito acima, existem vários tipos de tumores no organismo, assim, cada um tem evolução e características próprias. Usando uma comparação grosseira, os tumores podem ser vistos como infecções. Existem desde as gripes, que todos temos e curamos sozinhos até doenças incuráveis que matam em poucos dias. Ë necessário conversar com o médico para saber exatamente qual o seu tipo de tumor, qual a evolução esperada e qual o melhor tratamento.
Quais são os tumores cerebrais?
No sistema nervoso, as metástases perfazem cerca de metade dos tumores que afetam o cérebro. Os locais de origem mais freqüentes são o pulmão, mama e próstata. Nesses casos, o tratamento deve ser voltado tanto para a lesão cerebral como para o órgão que originou o tumor.
Para se conhecer os tipos de tumores que podem acometer nosso sistema nervoso, é necessário que conheçamos um pouco das células que envolvem nosso cérebro. De fora para dentro podemos identificar as seguintes estruturas: pele, subcutâneo, crânio, meninges e cérebro.
A pele e subcutâneo, na maioria dos casos, geram tumores menos invasivos, que não penetram a calota craniana e, conseqüentemente, não afetam o cérebro. Raramente são tratados por neurocirurgiões.
O crânio também não costuma gerar tumores agressivos. A maioria das lesões encontradas em adultos acometendo essa estrutura, como os osteomas e granuloma eosinofilico, são lesões mais benignas que crescem lentamente e, nem sempre, necessitam ser removidas cirurgicamente.
Os meningiomas, tumores que tem origem nas meninges, estão entre os mais comuns. Como estão localizados logo abaixo do crânio, eles costumam crescer e comprimir o cérebro. Na maioria das vezes, o tratamento cirúrgico é capaz de removê-los completamente e curá-los. Em uma minoria dos casos, a radio ou quimioterapia pode ser indicada para completar seu tratamento. Raramente, esses tumores se comportam como lesões malignas.
O próprio cérebro é sua principal fonte de tumor. Existem cerca de uma centena de células no seu interior que podem gerar os mais diferentes tumores. Infelizmente, o tipo mais comum, responsável por cerca de metade dos tumores gerados pelo cérebro, é o glioblastoma multiforme. Esse tumor tem características agressivas, com grande poder de infiltração no tecido normal que o cerca. Não existe tratamento isolado que seja curativo nesses casos. Assim, a cirurgia necessita ser complementada com radioterapia e, as vezes, quimioterapia. Apenas um em cada cinco pacientes com esse tipo de tumor sobrevive mais de dois anos.
O cérebro também produz outros tumores que se encontram no limbo entre os malignos e os benignos. Dentre eles os mais comuns são os oligodentdrogliomas e os gliomas baixo grau. Esses tumores têm um crescimento lento porém, podem infiltrar o tecido normal ao seu redor, o que limita seu tratamento cirúrgico. Usualmente, esses tumores necessitam de tratamento auxiliar. A radioterapia e a quimioterapia devem ser consideradas cuidadosamente em cada caso para se avaliar os riscos e os beneficios desses procedimentos.
Finalmente o cérebro também produz alguns tumores benignos, como os gangliogliomas e os ganglioneuromas que podem ser curados na maioria das vezes apenas com cirurgia.
Como dito anteriormente, existem mais de uma centena de tumores que acometem o cérebro, converse com seu médico para obter o máximo de informações a respeito da sua doença, afinal, suas expectativas e vontades devem ser respeitadas durante o seu tratamento.
Quais são os sintomas?
Os tumores que acometem o cérebro podem produzir virtualmente qualquer sintoma no organismo. Os sintomas dependem do local e da velocidade de crescimento. Usualmente o que leva o paciente ao médico são dores de cabeça, diminuição da força em um dos lados do corpo ou crises convulsivas.
Devemos notar que esses sintomas são também encontrados em outras doenças mais comuns. A dor de cabeça, por exemplo, é encontrada na maior parte da população, no entanto, apenas uma pequena minoria irá portar alguma doença grave. De uma maneira geral, podemos considerar que quanto mais antiga a dor de cabeça mais benigna ela é. Nos casos de tumor a dor costuma ser de inicio recente (alguns meses) e evoluir com piora progressiva neste tempo. Freqüentemente ela se associa a outros sintomas.
Da mesma maneira, a diminuição da força em um lado do corpo costuma estar associado a outras doenças, como por exemplo, a falta de irrigação de sangue no cérebro. No entanto, tumores devem ser considerados pelo médico se a perda de força apresentar caráter progressivo.
Qual o tratamento?
O tratamento do tumor irá depender especificamente do seu tipo. As opções comprovadas na atualidade são: cirurgia, radioterapia, quimioterapia e radiocirurgia.
A cirurgia normalmente é o primeiro passo no tratamento dos tumores cerebrais. Sua finalidade é a remoção do máximo de tumor possível sem criar novos déficits ao paciente. Apenas alguns tumores podem ser curados apenas somente com cirurgia.
A radioterapia é um tratamento auxiliar onde as células tumorais são destruídas por irradiação. Utiliza-se uma fonte externa de material radioativo que é direcionada para a lesão. Quanto mais rápido for o crescimento tumoral, maior a eficácia desse tratamento. Existe um médico especialista neste tipo de tratamento, o radioterapeuta, que irá decidir a dose e a área a ser irradiada.
A quimioterapia se refere ao uso de medicações injetadas no sangue para atingir as células tumorais. Atualmente, ela é utilizada como um tratamento auxiliar a cirurgia ou radioterapia. Na maioria das vezes ela aumenta apenas de forma moderada a sobrevida do paciente, porém não o cura. Alguns tumores, como o oligodendroglioma, costumam obter melhor resposta com esse tipo de tratamento. Também existe um médico especialista para escolher as melhores medicações e dosagens a serem injetadas, o oncologista.
A radiocirurgia é um tipo de radioterapia onde toda a irradiação se concentra em apenas uma pequeno ponto, com o mínimo de efeito no cérebro ao redor. Esse tipo de tratamento deve ser reservado aos casos onde o tumor tem pequeno volume e não está infiltrando o tecido ao redor. Entre suas melhores indicações está o emprego nas metástases cerebrais pequenas.
Conclusões
Os tumores cerebrais englobam diferentes doenças com diferentes prognósticos. O tratamento deve ser realizado por um grupo multiprofissional para que sejam obtidos os melhores resultados, que refletem na melhor qualidade de vida do paciente e seus familiares.
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