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Neurocirurgia Pediátrica


As doenças neuropediátricas podem aparecer desde o início do desenvolvimento, abrangendo o período intra-uterino, e estendendo-se para o período do recém-nascido, do lactente, do escolar e do adolescente. São fases diversas da vida, com variados tipos de doenças e que, portanto, exigem profissionais bem-especializados para tratálas. O neurocirurgião pediátrico é um dos componentes de uma equipe que inclui o pediatra, o neurologista, o geneticista, o psicólogo, o psiquiatra, o fisioterapeuta, o fonoaudiólogo, todos envolvidos em momentos distintos do tratamento da criança com doença neurológica.

As manifestações dos diferentes problemas podem ser notadas nos exames de prénatal pelo obstetra, ao nascimento pelo obstetra e pediatra, durante a puericultura pelo pediatra e pelos familiares; constituem alterações na forma e tamanho do crânio, tumorações na coluna, atrasos no desenvolvimento intelectual, da marcha, da fala e do controle urinário, dificuldade para ganhar peso e altura, dor de cabeça persistente com náuseas e vômitos. O profissional envolvido com a criança pode fazer o diagnóstico e solicita a avaliação do neurocirurgião. A seguir são descritas as principais doenças de atuação dessa especialidade:

- craniossinostoses: são alterações da forma da cabeça da criança resultantes do fechamento anormal das fontanelas ('moleiras') do bebê. Podem ser isoladas ou associadas a síndromes genéticas mais graves, e exigem tratamento cirúrgico precoce. Há diversos tipos, a depender da forma que estabelecem no crânio: escafocefalia, braquicefalia, plagiocefalia, trigonocefalia.

- disrafismos: são alterações do fechamento do tubo neural na fase embrionária que resultam em exposição de elementos da coluna vertebral e do crânio na linha média do recém-nascido. Podem ser grandes tumorações na cabeça ou nas costas do bebê, ou sinais discretos como pêlos, manchas, pequenos nódulos ao longo da coluna. Compreendem as encefaloceles (quando presentes no crânio), as meningoceles, mielomeningoceles, lipomielosquises, diastematomielias, medula presa, cistos dermóides (quando presentes na coluna vertebral). O tratamento é cirúrgico e pode ser feito logo ao nascimento para prevenir complicações (principalmente meningite) e reduzir as seqüelas neurológicas (principalmente o atraso mental, a dificuldade para andar e para o controle urinário).

- defeitos de migração de neurônios: são alterações graves de formação do cérebro na fase embrionária, que podem se manifestar com aumento ou diminuição do tamanho da cabeça da criança, crises epilépticas de dificil controle, atraso no desenvolvimento mental e motor, malformações graves em outras partes do corpo (olhos, ouvidos, coração). Muitos deles não são passíveis de tratamento cirúrgico, e incluem a holoprosencefalia, a porencefalia, a esquizencefalia, a lisencefalia, a hidranencefalia. O diagnóstico é importante porque podem estar presentes em síndromes genéticas passíveis de aconselhamento aos futuros pais.

- hidrocefalia: é o acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano no interior de estruturas do cérebro chamadas ventrículos. Esse acúmulo promove elevação da pressão dentro do crânio da criança. Se ainda estiverem presentes as fontanelas ('moleiras') estas podem ficar abauladas e tensas, e o tamanho da cabeça poderá aumentar. Em crianças sem fontanelas, pode se manifestar com dor de cabeça, náuseas, vômitos, sonolência. A hidrocefalia pode ser causada por infecções congênitas (citomegalovírus, toxoplasmose), pode estar presente em algumas síndromes (malformação de Chiari, malformação de Dandy-Walker, estenose de aqueduto) ou não apresentar causa aparente. Necessitam de intervenção cirúrgica com derivações ventriculares ('válvulas') ou procedimentos endoscópicos para alívio da pressão intracraniana.

- tumores: depois das leucemias, os tumores cerebrais são o tipo mais freqüente de tumores na faixa pediátrica. Podem se manifestar com os mesmos sinais da hidrocefalia, com crises epilépticas, com atraso no desenvolvimento, alterações de comportamento, alterações de peso e altura. Compreendem tumores malignos (cânceres) e benignos, podem se manifestar em qualquer fase do desenvolvimento (desde o primeiro ano de vida até a adolescência), e podem necessitar de quimioterapia e/ou radioterapia associadas ao tratamento cirúrgico. São freqüentes os gliomas (do cerebelo, dos nervos ópticos e do tronco cerebral), craniofaringeomas, teratomas, tumores da pineal, ependimomas, meduloblastomas.


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