História da Epilepsia
As crises convulsivas são descritas na literatura desde os primórdios da escrita. Há mais de 4000 anos já existiam relatos em textos sumérios e egípcios de crises convulsivas. As causas destas crises eram imputadas a espíritos. Apenas no século VI antes de Cristo, a escola hipocrática na Grécia sugeriu que a epilepsia tinha uma causa orgânica, provavelmente de origem no cérebro. Infelizmente, a crença nos “espíritos maus” causando epilepsia prevaleceu na cultura mundial. Somente com o fim da idade media o cérebro voltou a ser revisto como possível causa de doenças.
No final do século XIX a escola inglesa deu grandes contribuições na descrição do quadro clínico e origem de diferentes tipos de epilepsia. Nesta época também surgiram as primeiras cirurgias para remover cicatrizes cerebrais que causavam crises convulsivas.
O grande salto no estudo das epilepsias aconteceu com o desenvolvimento do eletroencefalograma (EEG) em 1929 por um pesquisador alemão. Devido a Segunda Guerra Mundial o aprimoramento do EEG acabou ocorrendo nos Estados Unidos e Canadá.
No Canadá foi criado um dos maiores centros de estudo dedicado ao cérebro no mundo, o Instituto Neurológico de Montreal. Em Montreal foram descritas várias doenças junto com os tratamentos clínicos e cirúrgicos associadas a crises convulsivas. Até a década de 1980 poucos centros no mundo trabalhavam com tratamento cirúrgico e clínico das epilepsias. O alto custo das instalações e os poucos profissionais com formação adequada contribuíam para este quadro. No Brasil o primeiro serviço multidisciplinar criado para o tratamento das epilepsias foi criado em 1971 no Hospital das Clínicas de São Paulo, chefiado pelo Professor Dr. Raul Marino Junior.
No final da década de 1980 surgiram as primeiras Ressonâncias Magnéticas e novas técnicas de filmagem e investigação das crises, que levaram a um melhor conhecimento das doenças ligadas às epilepsias,com um custo mais acessível, levando tratamentos mais adequados a um maior contingente da população. A queda do custo também possibilitou surgimento de novos centros em todo o mundo, o que tem contribuído cada vez mais para os bons resultados alcançados no tratamento desta patologia.
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