banner

Coluna


A coluna vertebral divide-se em 4 segmentos: cervical, torácica, lombar e sacral, cada uma com suas características e potenciais para gerar problemas. A coluna compreende todo o envoltório ósseo (vértebras), os discos intervertebrais, os ligamentos e músculos que protegem um tecido muito delicado – a medula espinhal – por onde passam muitos dos impulsos nervosos provenientes do cérebro para o corpo. Da medula saem as raízes nervosas e os nervos que levam as informações para os músculos, pele e órgãos internos.

As doenças que acometem a coluna vertebral podem afetar a medula espinhal, as raízes nervosas e os nervos, e muitos dos seus sintomas são explicados por esse fato. O contrário também é possível, com as doenças da medula espinhal e das raízes nervosas gerando deformidades na coluna. Em ambas as situações, faz-se necessária a avaliação especializada do neurocirurgião.

Os sintomas mais freqüentes de acometimento da coluna vertebral e da medula espinhal são a dor, a dificuldade para mobilização de um segmento da coluna, as deformidades e os desvios da coluna, a dor em segmentos do corpo como os membros superiores (braços, antebraços e mãos) e inferiores (coxas, pernas e pés), ciática (dor no trajeto do nervo ciático), formigamentos, perda de sensibilidade e de força nos segmentos mencionados, dificuldade para andar, dificuldade para urinar (incontinência ou retenção da urina), distúrbios sexuais (dificuldade de ereção, ejaculação, impotência). Em cada situação será necessária minuciosa avaliação neurológica através do exame clínico com verificação da força, reflexos, sensibilidade, e através de detalhada história clínica do doente, com referência a hábitos de vida, tipo de trabalho, traumatismos prévios, obesidade, tratamentos já realizados.

Freqüentemente são necessários exames complementares para confirmação do diagnóstico e planejamento do tratamento adequado. Esses exames podem incluir o raio-x da coluna, a tomografia computadorizada (com ou sem contraste), a ressonância magnética, a eletroneuromiografia (exame de estudo dos nervos e músculos), a cintilografia com radioisótopos, a densitometria óssea.

As doenças da coluna vertebral e medula espinhal podem ser divididas em traumáticas e não traumáticas, congênitas ou adquiridas, ou divididas por segmento anatômico envolvido (cervical ou lombar, por exemplo).

Hérnias discais lombares

Apresentam, como quadro clínico, dor lombar (lombalgia, lumbago) freqüentemente associada a dor em choque, formigamento, perda de sensibilidade ou força em um dos membros inferiores, raramente com acometimento do controle urinário e fecal e da potência sexual. O diagnóstico é feito atualmente pelo exame clínico neurológico, e confirmado pelos exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética de coluna lombar. Os níveis mais comumente afetados são L5/S1 e L4/L5.

O tratamento consiste em analgésicos, repouso relativo, reabilitação com fisioterapia e, em alguns casos, cirurgia. Dentre os tipos de cirurgia, enumeramos a laminectomia com retirada do disco herniado (discectomia) e a microdiscectomia (laminectomia de menor extensão com discectomia auxiliada por microscópio cirúrgico). As herniações mais laterais ou pelo forame intervertebral podem necessitar de foraminotomia associada ou acessos mais lateralizados com hemilaminectomia.

Hérnias discais torácicas

São raras, mais freqüentemente associadas com histórico de traumatismos, e apresentam-se com dor local, dificuldade para a marcha, perda de sensibilidade em membros inferiores e perda de controle esfincteriano. O diagnóstico também é feito pelo exame neurológico e confirmado pelos exames de tomografia computadorizada e pela ressonância magnética de coluna torácica.

O tratamento é eminentemente cirúrgico, e pode consistir em toracotomia (acesso pelo tórax à porção anterior da coluna vertebral), tóraco-freno-laparotomia (acesso pelo tórax e abdome à coluna vertebral) e costotransversectomia (acesso posterior à coluna torácia, com retirada parcial de costela), a depender da posição do disco herniado.

Hérnias discais cervicais

Manifestam-se com dor cervical, perda de força e sensibilidade nos membros superiores e inferiores, formigamentos e dor em choque nos membros superiores, perda de controle esfincteriano. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem (tomografia computadorizada ou ressonância magnética de coluna cervical), e o tratamento consiste em analgesia, fisioterapia e cirurgia.

A discectomia cervical anterior é o procedimento mais comum, com acesso pela região anterior do pescoço e retirada do disco herniado com auxílio de microscópio cirúrgico. Pode-se realizar a fusão com material autólogo (osso do próprio paciente) ou com materiais substitutos e próteses (hidroxiapatita, parafusos, placas e ‘cages’, discos artificiais) a depender da existência de instabilidade da coluna e presença de doença degenerativa. A discectomia também pode ser feita por vias posterior, com retirada de uma lâmina e abertura do forame intervertebral, indicada para situações de hérnias discais lateralizadas e quando associada a importante estreitamento do canal vertebral.

Canal estreito (espondilose) lombar

Manifesta-se com dificuldade para a marcha associada a dor lombar e em membros inferiores (o paciente refere dor ao caminhar uma certa distância, havendo pouca melhora ao interromper a marcha).Os distúrbios esfincterianos podem estar presentes. O diagnóstico é confirmado por raio-x, tomografia computadorizada e ressonância magnética de coluna lombar.

O tratamento cirúrgico consiste na retirada dos elementos que levam à redução do canal vertebral lombar, freqüentemente laminectomia (retirada das lâminas), foraminotomia (abertura dos forames), flavectomia (retirada do ligamento amarelo) e osteotomias para retirada dos osteófitos (“bicos de papagaio”). Em circunstâncias onde exista espondilolistese associada, pode ser necessário procedimento de fusão.

As fixações ou fusões são procedimentos que corrigem os desvios e deformidades da coluna vertebral e aceleram a artrodese – o remodelamento ósseo ou ‘cicatrização’ óssea. Podem ser necessários instrumentais para se obter a fixação necessária, como parafusos, hastes, placas, dispositivos substitutos de partes de vértebras, hidroxiapatita, fios, materiais resistentes e biologicamente compatíveis (com baixo índice de rejeição), em geral feitos de titânio e com durabilidade de dezenas de anos

Canal estreito (espondilose) cervical

Pode se manifestar da mesma forma que as hérnias discais cervicais, porém com curso mais lento (piora mais gradual) e com maior predomínio da dor cervical à movimentação. O diagnóstico é feito com auxílio de raio-x, tomografia computadorizada e ressonância magnética de coluna cervical. O tratamento cirúrgico pode variar desde uma laminectomia na extensão do estreitamento, com flavectomia e foraminotomias, ou a retirada de discos intervertebrais e osteófitos (“bicos de papagaio”) por via anterior, necessitando ou não de procedimento de fusão se houver sinais de instabilidade da coluna.

Espondilolistese

O termo designa condição em que há subluxação (escorregamento) de uma vértebra em relação a outra (mais freqüentemente L5/S1), de origem traumática, congênita (espondilólise) ou degenerativa (envelhecimento da coluna). Manifesta-se com importante dor na coluna, principalmente à movimentação, com componente de dor em membros inferiores menos intenso. O diagnóstico é possível com exames dinâmicos de raio-x de coluna lombar, associados a tomografia computadorizada e ressonância magnética do segmento. O tratamento pode abranger laminectomia descompressiva, laminectomia e foraminotomia, laminectomia, foraminotomia e procedimentos de fusão nas doenças degenerativas, a depender do grau de acometimento das raízes nervosas e da presença de instabilidade da coluna.

Doenças da transição crânio-cervical

Acometem a junção entre o crânio e a coluna cervical e podem se manifestar na artrite reumatóide, na síndrome de Down, nas malformações de Arnold-Chiari, na espondilite anquilosante, nas infecções e tumores da região. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem (tomografia computadorizada e ressonância magnética da transição crânio-cervical).As manifestações incluem distúrbios da marcha e do equilíbrio, distúrbios da fala, deglutição e sono, cefaléia, dor cervical, distúrbios da movimentação ocular.

O tratamento varia conforme a doença envolvida, em geral consistindo de procedimentos de descompressão (craniectomias suboccipitais com ou sem reconstrução de dura-máter, retirada do processo odontóide por via transoral) associados a procedimentos de fusão (fusão posterior com fios de titânio ou hastes com parafusos transpediculares entre C1/C2 e occipital/C1).

Traumatismo raquimedular com lesões de coluna vertebral

As doenças traumáticas da coluna vertebral podem abranger as fraturas, hérnias de disco, espondiloses e espondilolisteses, todas elas com potencial de promover lesões na medula espinhal e gerar problemas neurológicos (paralisias, perdas de sensibilidade ou de controle urinário por exemplo). Quando tal situação ocorre, fala-se em traumatismo raquimedular, com a mesma abordagem para diagnóstico e com as mesmas propostas terapêuticas mencionadas anteriormente. Dada à presença de fraturas e a maior incidência de lesões instáveis da coluna (por se tratar de agressão aguda à coluna), os procedimentos de fusão são mais freqüentes.

Tumores da coluna vertebral e da medula espinhal

maioria dos tumores nessa localização são benignos (ao contrário dos tumores no crânio) e causam sintomas por compressão do tecido neural ao invés de invasão do mesmo. O sintoma mais freqüente é a dor local ou à distância aos esforços (tosse, evacuação) e ao permanecer deitado, em repouso. Outros sintomas são a perda de força muscular nos membros superiores e inferiores, perda de sensibilidade, sensação de ‘formigamento’ ou queimação, dificuldade para urinar, evacuar, distúrbios sexuais. O diagnóstico poderá ser feito pela tomografia computadorizada ou ressonância magnética com contraste, exames que permitem localizar a lesão e planejar a melhor maneira de tratá-la. Na maioria dos casos, o tratamento se faz com microcirurgia (cirurgia com auxílio de microscópio), dado a delicadeza das estruturas envolvidas e o pequeno espaço em que se encontram. Se houver acometimento importante da coluna vertebral, gerando instabilidade, os procedimentos de fixação ou fusão se fazem necessários.


Voltar

Rua Maestro Cardim, 808 / 814 - Paraíso - São Paulo - Tels.: (11) 3141.9550 / 3141.9553 / 3287.1130 - Fax: (11) 3141.9556
© Copyright 2009 - Todos os direitos reservados - Instituto de Doenças Neurológicas de São Paulo.