banner

Neurocirurgia Funcional


A neurocirurgia funcional visa restabelecer a função neurológica do paciente por meio de tratamento cirúrgico. As condições tratadas por essa especialidade são as epilepsias, a doença de Parkinson e os tumores de hipófise. Os riscos cirúrgicos são usualmente pequenos, porém variações individuais podem ocorrer. Dessa maneira eles devem ser discutidos pessoalmente com o médico que acompanha o paciente

Cirurgia para Epilepsia

Como vimos anteriormente, grande parte das epilepsias está associada a presença de lesões cerebrais. O tratamento cirúrgico consiste na remoção da lesão preservando o cérebro e suas funções. As cirurgias mais freqüentes em serviços especializados em epilepsia são a ressecção temporal anterior (lobectomia temporal), as remoções de lesões corticais guiadas por eletrocorticografia e as hemisferectomias. Existem ainda procedimentos paliativos que visam facilitar o controle das crises, sem no entanto ter a intenção de as curar.

Lobectomia temporal

As ressecções da parte anterior do lobo temporal consistem cerca de 70% das cirurgias para epilepsia em centros especializados. O objetivo da cirurgia é a remoção de uma região do cérebro que, além de não estar funcionando de maneira adequada, causa as crises epilépticas. As principais estruturas envolvidas na geração das crises são as estruturas mesiais do lobo temporal, chamadas individualmente de amígdala, hipocampo, giro parahipocampal e giro entorrinal. Quando a indicação e o procedimento cirúrgico são realizados de maneira adequada, cerca de 80% dos pacientes não apresentam mais crises pelo resto da vida. Cerca de metade desses pacientes são capazes de parar a medicação.

Remoção de lesão cortical guiada por eletrocorticografia

A eletrocorticografia é um método de avaliação do potencial de determinadas áreas cerebrais para gerar crises. Ela é usada em pacientes com epilepsias crônicas que durante a investigação com exames de imagem se identifica uma lesão cerebral. Nem sempre a lesão propriamente dita é a causa das crises, muitas vezes o tecido cicatricial ao redor da lesão é que é o responsável pelas alterações neurofisiológicas. A eletrocorticografia permite ao cirurgião determinar e retirar durante a cirurgia apenas as áreas envolvidas com a geração de crises. Quando necessário esse método pode ser associado a estimulação cortical que possibilita também o mapeamento funcional do cérebro. Assim o cirurgião pode identificar e preservar regiões do cérebro envolvidas com atividades importantes, como por exemplo o movimento de partes do corpo, e ao mesmo tempo retirar a área doente que causa as crises epilépticas.

Hemisferectomias

As hemisferectomias são cirurgias extraordinárias utilizadas no tratamento de determinadas epilepsias catastróficas da infância. Alguns pacientes apresentam doenças envolvendo todo um lado do cérebro, o que impede o funcionamento do lado sadio. A cirurgia consiste na desconexão de um hemisfério cerebral possibilitando o desenvolvimento do lado saudável. Cerca de 80% dos pacientes ficam livres de crises após a cirurgia.

Cirurgias paliativas

As cirurgias paliativas mais freqüentes são a calosotomia e o implante de estimulador vagal. A calsotomia é um procedimento destinado a desconexão de partes cerebrais envolvidas na propagação das crises. Ela obtém controle total das crises em apenas 5% dos pacientes operados, no entanto, é capaz de interromper vários tipos de crises como as crises de queda, onde o paciente perde o tônus muscular do corpo e cai, muitas vezes se machucando. O estimulador vagal é uma tecnologia relativamente recente que ninguém sabe exatamente como funciona. Após o implante do eletrodo cerca de um terço dos pacientes apresenta melhora de 50% no número de crises. Alem dos resultados não serem empolgantes, o preço do aparelho e sua manutenção ainda são muito elevados para os padrões nacionais.

Cirurgia para distúrbios de movimento

O principal distúrbio de movimento tratado cirurgicamente é a doença de Parkinson. A cirurgia é reservada apenas para problemas refratários ao tratamento medicamentoso e visa modular atividade anormal de determinados núcleos profundos cerebrais relacionados ao controle fino do movimento. O procedimento se resume em um pequeno corte na pele e a introdução de um eletrodo para estimulação e modulação de circuitos cerebrais. Os alvos escolhidos na atualidade são o globo pálido interno, o tálamo e o núcleo subtalâmico.

O tálamo é reservado para pacientes onde o tremor é o traço clínico mais importante. Esse procedimento reduz em cerca de 80% o tremor contralteral a cirurgia. Por outro lado, os núcleos subtalâmico e globo pálido interno afetam todos as esferas clínicas da doença como a discinesia induzida por drogas, a rigidez e a bradicinesia. A palidotomia é associada a uma importante melhora nas discinesias induzidas por levodopa, além de reduzir a bradicinesia, rigidez e o tremor. No entanto palidotomia unilateral resulta em benefícios predominantemente contralaterais 'a cirurgia e seus efeitos na marcha e estabilidade postural podem ser de curta duração. Nos últimos anos foi introduzido no mercado os estimuladores cerebrais de profundidade que permitem o implante e estimulação no globo pálido bilateralmente. Os estimuladores também podes ser usados no núcleo subtalâmico, cujos resultados relatados na literatura mundial tem sido animadores. O problema dos estimuladores de profundidade em nosso meio ainda se resume no custo de implantação e manutenção do sistema.

Cirurgia para tumores de hipófise

O tratamento dos tumores de hipófise visam a retirada do tumor, normalização da função endócrina e preservação da hipófise. A maior parte dessas cirurgias pode ser realizada sem corte no rosto, através do acesso transfenoidal, onde se utiliza orientação por radioscopia e técnica microcirúrgica. Os resultados dependem do tamanho e da natureza do tumor.

O pré-operatório e o pós operatório das cirurgias de hipófise devem ser acompanhados por neuroendocrinologista da equipe neurocirúrgica


Voltar

Rua Maestro Cardim, 808 / 814 - Paraíso - São Paulo - Tels.: (11) 3141.9550 / 3141.9553 / 3287.1130 - Fax: (11) 3141.9556
© Copyright 2009 - Todos os direitos reservados - Instituto de Doenças Neurológicas de São Paulo.