Cefaleia
Cefaléia é o termo genérico dado em neurologia para qualquer tipo de dor de cabeça. As duas mais freqüentes são a cefaléia tensional, decorrente de stress e contração prolongada da musculatura flexora do tronco e membros e a cefaléia do tipo migrânea - a famosa enxaqueca.
O termo migrânea vem de hemicrânia, pois uma das características marcantes da enxaqueca é que ela acomete normalmente um lado do crânio. Contudo há variações e a enxaqueca pode se espalhar por toda a cabeça e também há outros tipos de cefaléia que podem se restringir a um lado do crânio.
Existem mais de cinqüenta tipos de cefaléia que se encaixam em treze tópicos da classificação da International Headache Society. O diagnóstico depende de uma consulta minuciosa com um neurologista. Para a classificação precisa e melhor tratamento da cefaléia é fundamental uma anamnese detalhada, especificando-se características como duração, intensidade, localização, periodicidade, horários preferenciais, fatores de melhora e de piora, desencadeantes, sintomas concomitantes, aura e pródromo etc.
O exame físico neurológico complementa a história, apontando para alterações anatômicas ou funcionais. Por fim, os exames de laboratório e imagem desempenham, na maior parte das vezes, um papel secundário, para confirmar o diagnóstico clínico. Pela sociedade internacional de cefaléia, dores de cabeça com mais de cinco anos de evolução, com característica mantida e sem indícios de comprometimento orgânico, dispensam a realização de exames como tomografia para o seu tratamento.
Contudo, o fato de uma dor de cabeça não ser decorrente de lesões estruturais no sistema nervoso central, como AVC, aneurismas, tumores cerebrais, lesões de nervos periféricos não significa que a mesma não mereça tratamento especializado, tendo em vista que mesmo uma simples dor de cabeça tensional pode ser motivo de prejuízos nas relações familiares, sociais e queda do desempenho profissional.
Então, quando devemos procurar um neurologista?
Como orientação geral, podemos aconselhar a procura de um atendimento especializado sempre que a dor de cabeça for recente (menos de seis meses), que comprometa suas tarefas habituais, se apresente mais de uma vez por semana, for intensa, estiver acompanhada de náuseas e vômitos, principalmente pela manhã. Cefaléias que se apresentam acompanhadas de febre merecem atendimento de pronto-socorro, assim como aquelas acompanhadas de rigidez na nuca, alterações neurológicas súbitas com perda de força nos membros e ainda quando há perda de consciência ou crise convulsiva.
Mas há casos particulares que também demandam atendimento especializado. Imaginemos uma pessoa adulta que a cada quinze ou vinte dias tem uma dor de cabeça do tipo enxaquecosa que lhe impede de ir ao trabalho e compromete seu desempenho por dois ou três dias. Além do diagnóstico adequado, é necessário um tratamento que vise não apenas o controle da dor quando ela aparece, mas também uma forma de prevenir seu início e diminuir sua freqüência.
O papel do neurologista será o de determinar exatamente o tipo de dor e escolher uma das várias opções de tratamento profilático, controlando os sintomas do paciente.
Além das medidas terapêuticas tipo medicamentosas, há também tratamentos auxiliares não medicamentosos que incluem atividade física orientada, hidroginástica, caminhadas, uma boa administração de trabalho/lazer, orientação psicológica habilitada, orientação dietética e mesmo tratamentos ortodônticos e de mandíbula.
De qualquer forma, sempre que não se tenha um diagnóstico exato do tipo de dor de cabeça, a avaliação neurológica mostra-se de grande valor.
Vejamos os tópicos da classificação internacional das Cefaléias Primárias (que não provêm de lesões estruturais do sistema nervoso central ou periférico) e das Cefaléias Secundárias (decorrentes de lesões orgânicas).
A- Cefaléias Primárias
1- Migrânea
2- Cefaléia tensional
3- Cefaléias em salvas e hemicrânia paroxística crônica
4- Outras cefaléias não associadas com lesões estruturais
B- Cefaléias Secundárias
1- Cefaléia associada com traumatismo cranio-encefálico
2- Cefaléia associada com transtornos vasculares
3- Cefaléia associada com transtornos intracranianos não vasculares
4- Cefaléia associada com o uso de substâncias ou sua abstinência
5- Cefaléia associada com infecção não encefálica
6- Cefaléia associada com transtornos metabólicos
7- Cefaléia ou dor facial associados com alterações do crânio, do pescoço, dos olhos, dos ouvidos, do nariz, dos seios da face, dos dentes, da boca ou de outras estruturas faciais ou cranianas
8- Neuralgias cranianas, dor dos troncos nervosos e dor por desaferentação
9- Cefaléias não classificáveis
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